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As perguntas certas para um fabricante de cosméticos: lista de verificação completa da due diligence

Atualizado 22 min de leituraTraduzido por IA
As perguntas certas para um fabricante de cosméticos: lista de verificação completa da due diligence

A due diligence a um fabricante de cosméticos é o processo estruturado de fazer as perguntas certas, na fase certa, para confirmar que um fornecedor consegue mesmo entregar o que promete, nas condições que orçamenta, com a conformidade que o mercado de destino exige.

Parece simples.

Na prática, a maioria dos fundadores faz as perguntas erradas na altura errada, aceita respostas vagas e só descobre a situação real depois de assinar.

O padrão repete-se: as perguntas sobre o preço dominam a primeira conversa, as perguntas sobre certificações nunca chegam a ser confirmadas como deve ser e as perguntas sobre o que acontece quando algo corre mal não chegam sequer a ser feitas.

Após 30 anos no setor hair and beauty, mais recentemente nos cosméticos em regime de private label (produção com a marca do cliente), com uma rede de mais de 14 parceiros de fabrico na Europa, na Turquia, na China e nos EUA, construí e afinei o conjunto de perguntas que revela mesmo informação útil.

O princípio é simples. Cada pergunta pertence a uma fase diferente da conversa. As primeiras despistam depressa os parceiros que não encaixam. As do meio põem à prova a capacidade e a transparência, e as últimas fixam a proteção comercial e jurídica.

Este guia percorre-as todas, organizadas pelas quatro fases do processo de seleção. Em cada pergunta crítica, assinalo como soa uma resposta útil e como soa a versão que é sinal de alarme.

Porque é que as perguntas estruturadas contam mais do que uma lista longa?

A maioria das listas de verificação de fabricantes que circulam na internet são longas séries de perguntas sem qualquer noção de ordem, de peso ou de como ler as respostas.

É um formato fácil de publicar.

Na prática, não serve para quase nada.

O problema das listas de perguntas genéricas

Um fundador de primeira viagem chega à primeira chamada com uma lista de 40 perguntas copiada de um blogue, percorre-a em 20 minutos e vai apontando o que o fabricante for dizendo.

O fabricante já teve esta conversa mil vezes. Sabe dar respostas que soam completas sem serem concretas.

Uma hora depois, o fundador tem 40 apontamentos e nenhuma informação aproveitável. Pior: passou a conversa a marcar cruzes numa lista em vez de avaliar mesmo se há encaixe.

A estrutura em quatro fases que funciona

Cada pergunta pertence a uma de quatro fases distintas do processo de seleção. Cada fase tem objetivos próprios e um patamar próprio de resposta aceitável.

Fase 1: capacidade e identidade. A primeira chamada, ou as duas primeiras. O objetivo é confirmar que o fabricante consegue mesmo produzir aquela categoria de produto, naquele volume, no quadro regulamentar do mercado de destino. Se não conseguir, a conversa acaba em 15 minutos. O tempo é o único recurso que não se recupera.

Fase 2: condições comerciais. A fase do orçamento. O objetivo é perceber o que se estaria a comprar, a que custo e em que condições. Preço, quantidade mínima de encomenda (MOQ), prazos de entrega, condições de pagamento, flexibilidade. Serve para negociar e, cada vez mais, para aferir a honestidade do fabricante sobre a sua própria economia.

Fase 3: qualidade e verificação. A fase da avaliação técnica. O objetivo é confirmar de forma independente aquilo que o fabricante disse e pôr à prova capacidades que nenhum orçamento e nenhum material de marketing deixam avaliar. Certificações, processo de amostragem, rastreabilidade dos lotes, visitas às instalações ou auditorias.

Fase 4: contrato e relação. A fase que antecede a assinatura. O objetivo é proteger a marca das situações em que as coisas correm mal. Cláusulas contratuais, gestão de alterações, condições de saída, verificação de referências.

A estrutura vale porque cada fase deixa de fora os fabricantes desadequados antes de se investir mais.

Um fabricante que não passa a fase 1 nunca chega à fase 2.

Assim poupa-se tempo e preserva-se o discernimento.

Respostas esperadas e respostas que são sinal de alarme

Em cada uma das perguntas críticas deste guia, descrevo duas coisas.

Como soa uma resposta útil. Concreta, confirmável, à vontade com o detalhe técnico ou regulamentar. Um fabricante que trabalha com profissionalismo responde com profissionalismo.

Como soa a versão que é sinal de alarme. Vaga, evasiva, genérica ou defensiva. As palavras mudam de caso para caso. O padrão não.

Os próprios padrões de alarme estão tratados em detalhe no guia específico dos sinais de alarme num fabricante de cosméticos.

Fase 1: perguntas de capacidade e identidade (primeira chamada)

Estas vão no início da primeira conversa.

Se as respostas não forem sólidas, não vale a pena passar ao preço.

Que categorias de produto produzem mesmo internamente e quais vão buscar a parceiros?

É a primeira pergunta porque enquadra todas as outras. O setor tem três tipos de empresa (fabricantes diretos, revendedores e híbridos que fabricam e revendem) e saber com qual deles se está a falar muda a conversa.

Padrão de resposta útil: «Produzimos internamente emulsões, séruns e loções de cuidado da pele. Maquilhagem e formatos especiais, como os sticks, vamos buscar a unidades parceiras com que trabalhamos há anos.» Concreto. Honesto quanto aos limites do que é próprio e do que é comprado.

Padrão de resposta que é sinal de alarme: «Conseguimos produzir tudo o que for preciso.» Vago, indiferenciado, sem uma palavra sobre parceiros ou categorias. É o indício mais constante de um revendedor a esconder o modelo, ou de um comercial com muito pouca experiência.

Que entidade jurídica vai constar do contrato e da fatura, e é a mesma que explora a unidade de fabrico?

As divergências de identidade entre a entidade que orçamenta e a entidade que produz são comuns no setor.

Algumas são legítimas (estruturas de holding).

Outras existem para dificultar o recurso.

Resposta útil: o fabricante nomeia a entidade jurídica, explica que relação tem com a unidade de fabrico e oferece-se para enviar a certidão do registo comercial.

Resposta que é sinal de alarme: confusão sobre que entidade faz o quê, ou relutância em esclarecer por escrito.

Como é desenvolvida a fórmula: no I&D próprio, licenciada a um laboratório externo, ou desenvolvida à medida por um laboratório de fora?

Esta pergunta quase nunca é feita porque a maioria dos fundadores não sabe que ela conta. Na prática, determina se uma fórmula é exclusiva ou partilhada, se pode ser alterada e o que acontece se o laboratório externo mudar as condições.

Resposta útil: uma indicação clara do caminho que se aplica a cada fórmula que propõem.

«As fórmulas A e B são do nosso I&D. A fórmula C está licenciada pelo laboratório X, em regime não exclusivo. A fórmula D foi desenvolvida à medida para nós no ano passado.»

Resposta que é sinal de alarme: «Todas as nossas fórmulas são nossas», sem mais detalhe, sobretudo vindo de um fabricante claramente pequeno demais para ter uma equipa de I&D completa.

Têm marcas ou produtos vendidos com nome próprio, e algum deles concorre na minha categoria?

Muitos fabricantes mantêm linhas de produto próprias a par do trabalho em regime de private label. Não é um problema, a não ser que a marca deles concorra diretamente com a do cliente, ou que deem prioridade à produção própria em vez das encomendas dos clientes nas épocas de maior procura.

Resposta útil: um sim ou um não diretos, com pormenores se for sim.

«Sim, temos duas linhas de cuidado da pele vendidas na distribuição profissional na Europa Central. Nenhuma delas procura o posicionamento de luxo que o briefing descreve, por isso não há sobreposição direta.»

Resposta que é sinal de alarme: desviar o assunto, afirmações vagas de que «só fazemos private label» que se desfazem com 30 segundos de pesquisa, ou desencorajar abertamente a pergunta.

Qual é o volume de produção anual na minha categoria de produto em concreto?

Esta pergunta conta porque separa o generalista que de vez em quando faz aquela categoria do especialista que produz milhões de unidades por ano. Ter capacidade naquele volume é diferente de ter capacidade em abstrato.

Resposta útil: um número concreto com contexto. «Em emulsões de cuidado da pele produzimos cerca de 3,5 milhões de unidades por ano, para 40 a 50 clientes ativos. O limite de capacidade nessa categoria ronda os 6 milhões.»

Resposta que é sinal de alarme: evasivas, números muito redondos («vários milhões, varia»), ou recusa em partilhar por confidencialidade, que não se aplica a um volume agregado por categoria.

Fase 2: perguntas comerciais e de condições (fase do orçamento)

Nesta altura, o fabricante já passou o filtro da capacidade.

Agora o objetivo é perceber o que se estaria mesmo a comprar.

O que está incluído neste preço e o que fica de fora?

É a pergunta comercial mais importante de todas, e a que mais vezes fica por fazer.

Um orçamento que parece competitivo exclui muitas vezes rubricas que um orçamento de mercado incluiria: a preparação da documentação regulamentar, os ensaios de estabilidade e de eficácia da conservação, as taxas de amostra, a embalagem, o transporte e a armazenagem de matérias-primas. Quando essas rubricas aparecem depois como linhas separadas, o custo real pode ficar 40 % a 60 % acima do valor anunciado.

Resposta útil: uma decomposição por rubricas, ou uma indicação explícita do que está incluído e do que é cobrado à parte. O fabricante consegue dizer que rubricas ficam de fora e dar um intervalo indicativo para cada uma.

Resposta que é sinal de alarme: «Este é o nosso preço-padrão para o produto», sem decomposição, ou recusa em esclarecer enquanto não houver compromisso de avançar.

A MOQ indicada é um mínimo técnico da linha de produção ou um mínimo de regra comercial?

A maioria dos fundadores aceita as MOQ indicadas como se fossem fixas.

Na prática, as MOQ vêm de duas origens diferentes, com margens de negociação muito diferentes.

O mínimo técnico é o lote mais pequeno que a linha de produção consegue fazer com eficiência e sem desperdício.

Abaixo desse limiar, o fabricante perde dinheiro em cada unidade. Quase nunca é negociável.

O mínimo de regra comercial é um limiar que o fabricante fixa acima do mínimo técnico, porque a mudança de série, a limpeza e a calibração entre fórmulas custam tempo e dinheiro. Aqui já há margem de negociação, sobretudo numa relação com vários lotes comprometidos, ou a um custo unitário mais alto que compense a ineficiência da preparação.

O guia completo da MOQ no fabrico de cosméticos trata as táticas de negociação com mais detalhe.

Resposta útil: o fabricante distingue os dois e explica, em regra, que o mínimo técnico corresponde a um determinado número de quilos de granel (muitas vezes equivalente a 500 a 2 000 unidades acabadas, conforme o produto) e que o mínimo comercial que orçamenta fica acima disso por causa dos custos de preparação.

Resposta que é sinal de alarme: a MOQ indicada é apresentada como absoluta, sem qualquer explicação do porquê.

Quais são as condições de pagamento para um cliente novo?

As condições correntes no setor para clientes novos andam à volta de 30 % na encomenda, 30 % a 40 % na aprovação do lote e 30 % a 40 % na entrega. Há variações.

Resposta útil: condições dentro do que é corrente no setor, ou perto disso, com marcos definidos com clareza («aprovação do lote significa a validação da amostra de controlo da série de produção, antes da expedição»). Com flexibilidade possível para encomendas repetidas.

Resposta que é sinal de alarme: 100 % do pagamento antes de a produção começar, ou condições muito carregadas no início (mais de 70 % adiantados, sem marcos de libertação). Estas condições retiram qualquer recurso prático se aparecerem problemas de qualidade.

Qual é o prazo de entrega realista, atrasos habituais incluídos?

Os prazos de entrega anunciados tendem a ser otimistas. Um prazo realista inclui a janela de aprovisionamento de matérias-primas, a chegada da embalagem, os ciclos de ensaios regulamentares e o tempo entre o lote-piloto e a produção final.

Resposta útil: um intervalo em vez de um número único, com menção honesta às causas mais comuns de atraso («o prazo das matérias-primas pode acrescentar 2 a 3 semanas se não tivermos os ativos em stock; a embalagem à medida costuma acrescentar mais 4 a 6 semanas»).

Resposta que é sinal de alarme: um número único e agressivo, sem uma palavra sobre dependências, ou um historial de entregas atrasadas que preferem desviar a discutir.

Como tratam as alterações de fórmula pedidas pelo cliente a meio do desenvolvimento?

Os projetos evoluem.

Uma textura não fica bem logo à primeira amostra. Uma direção de fragrância muda, ou as observações regulamentares obrigam a alterar.

A flexibilidade do fabricante perante ajustes razoáveis é um bom indicador da qualidade da relação.

Resposta útil: um processo concreto, com um quadro de custos definido. «Os ajustes menores, dentro de um âmbito definido, estão incluídos na taxa de desenvolvimento. As reformulações de fundo são orçamentadas à parte, com base nas horas de laboratório e nas alterações de matérias-primas. Em regra acomodamos três rondas de iteração antes de haver custos adicionais.»

Resposta que é sinal de alarme: «Não mexemos na fórmula depois de o desenvolvimento começar», ou o extremo oposto («mudamos o que for preciso quando for preciso»). Nos dois casos, não há processo nenhum.

As melhores conversas comerciais que tive com fabricantes foram aquelas em que os dois lados disseram cedo o que não conseguiam fazer. As piores foram aquelas em que os dois lados disseram que sim a tudo.

A primeira conversa dá o tom de toda a relação.

Clareza no início, atrito mais tarde. Vaguidão no início, surpresas mais tarde.

Fase 3: perguntas de qualidade, conformidade e verificação

Esta fase põe à prova se o que foi dito nas conversas anteriores resiste à verificação.

É possível ver o certificado ISO 22716 em vigor e confirmá-lo diretamente junto do organismo certificador?

A ISO 22716 é a norma internacional para as boas práticas de fabrico em cosmética.

Na UE, o cumprimento das boas práticas de fabrico é exigido pelo Regulamento (CE) n.º 1223/2009; a ISO 22716 é a norma harmonizada que dá presunção de conformidade, e o certificado emitido por terceiros é voluntário, mas é a prova comercial corrente, pelo que continua a fazer sentido pedi-lo. Nos EUA é a norma de facto, porque a FDA nunca publicou a regra de boas práticas de fabrico que a MoCRA mandou fazer: as duas datas fixadas na lei já passaram, nada apareceu sob o RIN da regra e não foi anunciada nova data.

Resposta útil: o certificado chega depressa, com o organismo certificador e o período de validade indicados. O fabricante oferece por iniciativa própria um caminho de verificação («isto confirma-se diretamente no registo da SGS, com o número do certificado»). Os principais organismos (SGS, Intertek, TÜV SÜD, DQS, Bureau Veritas, Kiwa) mantêm registos públicos para esse efeito.

Resposta que é sinal de alarme: o certificado demora semanas a aparecer, é emitido por um organismo que não se encontra nem se consegue confirmar, ou o fabricante desencoraja abertamente a verificação direta junto do organismo certificador.

O certificado é papel. A confirmação no registo é um facto. Um fabricante que recebe bem a verificação é um fabricante que não tem nada a esconder. Um fabricante que a desencoraja está a dizer uma coisa importante sem a dizer.

A verificação da ISO 22716 é a base na UE. Para produção destinada aos EUA, aplica-se um sistema de registo próprio, ao abrigo da MoCRA.

Para produção destinada ao mercado dos EUA, qual é o número FEI da FDA, e a unidade está registada e em dia com a renovação bienal?

Ao abrigo da MoCRA, as unidades que produzem cosméticos vendidos nos EUA têm de se registar na FDA através do formulário FDA 5066, com renovação bienal. A secção 612 da FD&C Act isenta as pequenas empresas, ou seja, as que tenham menos de 1 000 000 USD de vendas médias anuais de cosméticos nos EUA nos três anos anteriores, salvo se fizerem produtos que entrem em contacto com a mucosa ocular, sejam injetados, se destinem a uso interno ou alterem o aspeto por mais de 24 horas.

Cada unidade tem um número FEI único (FDA Establishment Identifier). A renovação bienal está ativa em 2026.

Resposta útil: o fabricante dá o número FEI, que se pode consultar no FEI Search Portal da FDA para confirmar que corresponde ao mesmo nome de empresa e à mesma morada. O estado do registo não é pesquisável publicamente, por isso convém pedir também a confirmação de registo da unidade emitida pelo Cosmetics Direct, que traz o estado e a data de renovação.

Resposta que é sinal de alarme: afirmar capacidade para o mercado dos EUA sem conseguir apresentar um número FEI, ou um FEI que não bate certo na verificação.

Podem explicar o processo de amostragem passo a passo, incluindo quantas iterações costumam ser precisas e quanto custa cada uma?

A realidade da amostragem é muitas vezes invisível para quem funda uma marca pela primeira vez. As amostras são produzidas em escala laboratorial (mini-emulsionadores com capacidades de lote entre 50 e 500 ml), e cada iteração tem um custo real em tempo de laboratório e em materiais.

Resposta útil: o fabricante descreve o circuito de amostragem com clareza. «A primeira amostra parte do briefing e da fórmula de referência mais próxima que temos. O ciclo de desenvolvimento habitual é de 2 a 5 iterações em fórmulas derivadas de uma base. Cada iteração custa de 200 a 800 EUR/USD na maioria das categorias de produto. Recomendamos um briefing estruturado logo no início, para reduzir o número de iterações.» (Os valores de custo referidos neste artigo são estimativas indicativas e variam consoante o fabricante, a região e o âmbito do projeto.)

Resposta que é sinal de alarme: respostas vagas do género «enviamos amostras até ficar satisfeito», que costumam significar amostras gratuitas sem limite para clientes pouco comprometidos e custos a subir para quem tenciona mesmo produzir.

Como se faz o rastreio de um lote de produto acabado até às matérias-primas de origem?

Ligar cada unidade acabada ao lote de produção, aos lotes intermédios, aos lotes de matéria-prima e aos fornecedores desses lotes é uma exigência da ISO 22716. O Regulamento (CE) n.º 1223/2009 pede menos: o número de lote de fabrico, ou a referência que permita identificar o produto, no recipiente e na embalagem (artigo 19.º, n.º 1, alínea e)) e, a pedido de uma autoridade competente, a identificação de quem forneceu o produto e a quem foi fornecido, durante três anos a contar da data em que o lote foi disponibilizado ao distribuidor (artigo 7.º).

Resposta útil: o fabricante percorre um exemplo de rastreio com à-vontade, de preferência com um lote real recente e os dados sensíveis ocultados. Consegue nomear o software de controlo da qualidade ou o sistema em papel que usa, o período habitual de conservação dos registos (em regra 5 a 10 anos, conforme a jurisdição) e o tempo necessário para produzir um rastreio completo a pedido (normalmente no próprio dia ou no dia seguinte, para qualquer lote dos últimos 3 anos).

Na UE, a pessoa responsável tem de conservar o ficheiro de informações sobre o produto (PIF) durante dez anos a contar da data em que o último lote foi colocado no mercado (artigo 11.º, n.º 1, do Regulamento (CE) n.º 1223/2009), pelo que alinhar a conservação de registos do fabricante por esse horizonte é prudente.

Resposta que é sinal de alarme: declarações gerais sobre «rastreabilidade total» sem conseguir demonstrar o processo real, ou demoras longas quando se pede um rastreio sobre um lote de exemplo.

É possível marcar uma visita às instalações, ou apoiam uma auditoria independente por terceiros?

Em séries de produção acima de alguns milhares de unidades, a verificação para além dos documentos não é opcional.

Resposta útil: «Sim, as visitas são bem-vindas, com 2 a 3 semanas de antecedência para a logística. Já apoiámos auditorias independentes da SGS, da Intertek, da TÜV SÜD e da Bureau Veritas para outros clientes. Podemos disponibilizar relatórios de auditoria de referência dos últimos 12 meses.» Uma auditoria independente por terceiros custa, em regra, de 1 500 a 4 000 euros e produz um relatório escrito à luz da ISO 22716.

Resposta que é sinal de alarme: recusa das visitas às instalações e das auditorias por terceiros. Só este sinal justifica pôr fim à conversa, por muito boas que tenham sido as outras respostas.

Fase 4: perguntas de contrato e de relação (antes de assinar)

Quem chega a esta fase tem à frente um fabricante que já passou os filtros da capacidade, do comercial e da verificação. As últimas perguntas protegem contra o que pode acontecer ao longo da relação.

É possível ver um exemplar do contrato-tipo de fornecimento antes de assumir o compromisso de assinar?

Todos os fabricantes sérios têm um modelo de contrato-tipo de fornecimento. Lê-lo antes de negociar é a única forma de perceber que proteção o contrato dá mesmo, tal como está, e que proteção não dá.

Resposta útil: o fabricante envia depressa uma versão expurgada ou o modelo do contrato-tipo, para análise jurídica. Um fabricante que já passou por muitas relações com clientes tem um contrato maduro e não se põe na defensiva quando lho pedem.

Resposta que é sinal de alarme: o contrato só aparece no momento da assinatura, há recusa em partilhá-lo antes, ou não existe modelo nenhum. Qualquer um destes casos indica inexperiência ou uma tática deliberada para travar uma negociação informada.

O quadro completo dos contratos com o fabricante de cosméticos trata as cláusulas que mais contam.

De quem é a fórmula e quais são as condições de exclusividade?

A propriedade da fórmula determina se o produto pode ir para outro fabricante caso a relação termine, e se o fabricante pode vender a mesma fórmula a um concorrente.

Resposta útil: linguagem clara sobre a propriedade, conforme o caminho de produção. No private label derivado de uma base, o fabricante costuma manter a propriedade, mas concede exclusividade sobre uma personalização específica. No desenvolvimento à medida, a marca costuma ficar com a fórmula, com alguma forma de cláusula de exclusividade. As condições são negociáveis e devem ficar explícitas no contrato.

Resposta que é sinal de alarme: «Depois vemos isso», ou respostas ambíguas. Uma propriedade da fórmula que não esteja explícita no contrato é uma propriedade que o fabricante pode reclamar num litígio.

Como são comunicadas e aprovadas as alterações de fórmula, de matéria-prima e de fornecedor?

Um fabricante que pode mudar de fornecedor ou substituir ingredientes de forma unilateral, sem avisar, é um fabricante cujo produto se vai afastando da fórmula original com o tempo.

Resposta útil: um protocolo claro de controlo de alterações. As alterações relevantes à fórmula, à cadeia de fornecimento de matérias-primas ou à embalagem exigem aviso por escrito e aprovação do cliente antes de serem aplicadas. E o contrato diz isto por extenso.

Resposta que é sinal de alarme: respostas vagas, ou uma redação contratual que permite ao fabricante mudar de fornecedor «por materiais equivalentes», ao seu próprio critério.

O que acontece se houver um problema de qualidade num lote de produção?

Numa relação longa, mais tarde ou mais cedo há problemas de qualidade. O procedimento-padrão de resposta do fabricante é o que indica se esses momentos reforçam a relação ou a destroem.

Resposta útil: um processo concreto, com papéis definidos. «No prazo de 10 dias úteis a contar de uma reclamação de qualidade por escrito com o número de lote, entregamos uma análise de causa-raiz e um plano de ação corretiva. Os lotes fora de especificação são reprocessados sem encargos, substituídos ou creditados na encomenda seguinte, conforme a gravidade e o que ficar acordado.»

Resposta que é sinal de alarme: respostas genéricas do género «respondemos pela nossa qualidade», sem nenhum procedimento descrito, ou uma redação que atira o ónus da prova para a marca em qualquer litígio de qualidade.

Podem indicar dois clientes como referência, com quem seja possível falar?

Um fabricante com um negócio saudável tem clientes disponíveis para falar com quem está a avaliá-lo. Um fabricante com um historial problemático não tem.

Resposta útil: dois ou mais nomes concretos em poucos dias, já com a disponibilidade dessas pessoas confirmada previamente pelo fabricante. São referências com peso (marcas reconhecíveis, operações profissionais), não contas minúsculas de teste.

Resposta que é sinal de alarme: demoras, desculpas, ou referências que se revelam inexistentes ou contas muito pequenas, cujo aval não valida a capacidade do fabricante para o volume em causa.

Quais são as condições de cessação do contrato, e o que acontece às existências, aos moldes e às especificações se a relação terminar?

Todas as relações acabam por terminar. As condições que regulam esse momento devem estar claras desde o início.

Resposta útil: cláusulas de cessação que definem os prazos de pré-aviso, o destino do trabalho em curso e das existências acabadas, a propriedade e a devolução dos moldes, e um processo de transição claro que não deixe a marca a descoberto.

Resposta que é sinal de alarme: condições de cessação muito inclinadas para o lado do fabricante, com perda dos moldes, destino pouco claro das existências, ou nenhuma obrigação de transição definida.

Perguntas frequentes

Qual é a pergunta mais importante a fazer a um fabricante de cosméticos?

«Que categorias de produto produzem mesmo internamente e quais vão buscar a parceiros?» Só esta pergunta revela mais sobre a estrutura do fabricante do que qualquer outra. Separa os fabricantes diretos dos revendedores e dos híbridos que fabricam e revendem, expõe a opacidade mais comum do setor e dá o tom da transparência de toda a conversa que se segue. Um fabricante que responde de forma concreta e honesta é um fabricante que vale a pena continuar a avaliar. Um fabricante que desvia o assunto ou dá uma resposta vaga do género «produzimos tudo» é um fabricante a tratar com cautela desde o início.

Como se sabe se a resposta de um fabricante é de confiança?

Há dois padrões que separam as respostas de confiança das outras. As respostas de confiança são concretas, confirmáveis em fontes externas, e trazem limites ou cedências que o fabricante assume. As respostas pouco fiáveis são genéricas, difíceis de confirmar, e descrevem o fabricante como capaz de tudo, sem uma única cedência. Um teste útil é fazer uma pergunta de seguimento que obrigue ao detalhe. Um fabricante de confiança aprofunda. Um fabricante pouco fiável muda de assunto ou repete a mesma afirmação vaga por outras palavras.

Quantas perguntas se devem fazer na primeira chamada com um fabricante de cosméticos?

Menos do que parece. A primeira chamada deve cobrir as 5 perguntas da fase 1 deste guia (capacidade na categoria, entidade jurídica, origem da fórmula, marcas próprias, volume anual na categoria) e deixar tempo para as perguntas que o fabricante tem sobre o projeto. Uma primeira chamada dominada por uma lista de 40 perguntas rende menos do que uma conversa focada no encaixe de capacidade. As restantes pertencem às fases seguintes, depois de o fabricante passar o primeiro filtro.

O que fazer se um fabricante se recusar a responder a uma pergunta concreta?

Uma recusa em responder já é uma resposta. O que fazer a seguir depende da categoria da pergunta recusada. Recusar informação confidencial sobre outros clientes é razoável. Recusar as próprias certificações, o número FEI, o estado da ISO 22716 ou o modelo de contrato de fornecimento não é. Nesses casos, convém nomear a recusa por escrito e em concreto, pedir esclarecimento com um prazo e tratar a evasão continuada como motivo para acabar com a conversa. O guia dos sinais de alarme trata os padrões em detalhe.

São precisas perguntas diferentes para fabricantes de white label e de private label?

As perguntas de fundo sobre capacidade, identidade, condições comerciais e conformidade aplicam-se aos dois. Algumas mudam de peso. Em white label (produto acabado com a marca do cliente), a propriedade da fórmula e a exclusividade contam menos, porque a compra é feita a partir de um catálogo partilhado. O processo de amostragem também conta menos, porque as amostras acabadas costumam ser pagas e enviadas sem marca, sem ciclo de iteração. Em private label, essas perguntas passam para o centro, e as perguntas sobre o processo de desenvolvimento carregam o peso que em white label têm as perguntas sobre a escolha no catálogo.

Quanto tempo deve demorar todo o processo de due diligence?

Do primeiro contacto ao contrato assinado, cinco a oito semanas para um fundador experiente que trabalhe com um briefing preparado. Cada primeira chamada leva 45 a 60 minutos, e a avaliação e comparação dos orçamentos levam uma a duas semanas. A verificação das certificações, os pedidos de amostra e a avaliação técnica inicial acrescentam duas a três semanas. Uma visita às instalações ou uma auditoria por terceiros acrescenta mais uma semana, marcação incluída. A negociação do contrato e a análise jurídica levam uma a duas semanas. Quem funda uma marca pela primeira vez, sem um briefing preparado, costuma acrescentar mais três a seis semanas, porque vai clarificando os próprios requisitos ao longo das conversas.

Esta lista de verificação serve para quem já trabalha com um fabricante?

Serve, e muitas vezes vale mais nessa altura do que na seleção. Com a produção já a decorrer, passar em revista as perguntas das fases 3 e 4 é um diagnóstico rápido da relação. Muitos dos sinais que anunciam problemas futuros (desvios de qualidade, entregas irregulares, falta de resposta) aparecem nestas perguntas antes de aparecerem nas séries de produção. Se as respostas de hoje forem piores do que as do princípio, esse desvio é o sinal que vale a pena levar a sério.

A IA transcriou esta página a partir do original inglês, e verificou os termos regulamentares na versão oficial do regulamento em português. Ler o original inglês

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